O mercado imobiliário corporativo de São Paulo registra um novo ciclo de valorização. O aumento da procura por escritórios de alto padrão, impulsionado pela retomada do trabalho presencial e pela expansão das empresas, elevou os preços pedidos de locação a um novo patamar no terceiro trimestre de 2026.
O valor médio pedido para locação de escritórios corporativos na capital paulista chegou a R$ 144,49 por metro quadrado, segundo levantamento da Binswanger Brazil. No mesmo período de 2025, o indicador estava em R$ 122,28/m². Há dois anos, o valor médio era de R$ 117/m².
A evolução dos preços acompanha a redução da disponibilidade de espaços comerciais e a maior procura por edifícios de alto padrão, especialmente em regiões consolidadas do mercado corporativo.
Mercado de escritórios em São Paulo registra queda na vacância
A taxa de vacância dos escritórios corporativos de alto padrão encerrou o terceiro trimestre de 2026 em 12,9%. O resultado representa uma redução em relação aos 15,5% registrados no mesmo período de 2025 e aos 20,8% observados dois anos antes.
Na comparação trimestral, entretanto, houve uma pequena elevação, de 12,1% para 12,9%, acompanhando a entrada de novos empreendimentos no mercado.
Para Simone Santos, sócia-diretora da Binswanger Brazil, a diminuição dos espaços disponíveis evidencia a retomada da demanda por imóveis corporativos. Nas regiões mais procuradas, as empresas encontram menos alternativas de ocupação, cenário que contribui para a valorização dos aluguéis.
Edifícios Triple A ganham relevância na ocupação corporativa
A procura por escritórios de alto padrão, conhecidos como Triple A, também influencia o comportamento do mercado imobiliário comercial.
Localização, infraestrutura tecnológica, eficiência operacional, flexibilidade dos ambientes e qualidade construtiva estão entre os atributos considerados pelas empresas na escolha de novos espaços.
O escritório assume uma função que vai além da acomodação das equipes. A qualidade do ambiente corporativo, a experiência dos colaboradores e as necessidades operacionais passaram a integrar as decisões de ocupação das empresas.
Novos empreendimentos ampliam o estoque de escritórios em São Paulo
O terceiro trimestre de 2026 também foi marcado pela entrada de novos empreendimentos corporativos na capital paulista. Alto das Nações, Cyrela Oscar Freire e Franca acrescentaram, juntos, 143 mil m² ao estoque de escritórios de alto padrão.
O volume representa mais que o dobro dos 66 mil m² adicionados no segundo trimestre e supera os 16 mil m² registrados no mesmo período de 2025.
Mesmo com a ampliação da oferta, a absorção líquida, indicador que considera a diferença entre áreas ocupadas e devolvidas ao mercado, avançou 4,8% no trimestre, alcançando 88 mil m².
Os números mostram que a entrada de novos espaços ocorre em paralelo à continuidade da ocupação por empresas que buscam ampliar ou qualificar suas estruturas corporativas.
Valorização dos aluguéis alcança novas regiões de São Paulo
O movimento de valorização dos imóveis corporativos também começa a alcançar diferentes regiões da cidade. Além dos tradicionais polos empresariais, como Faria Lima, Itaim Bibi e Juscelino Kubitschek, áreas como Chucri Zaidan e Pinheiros vêm ganhando relevância na dinâmica de ocupação.
A ampliação da procura para outros eixos corporativos demonstra uma distribuição mais abrangente da demanda por escritórios na capital paulista.
Segundo Simone Santos, da Binswanger Brazil, essa movimentação indica que a recuperação do mercado não está concentrada apenas nos endereços tradicionalmente mais valorizados, mas também alcança outras regiões com potencial de ocupação.
Perspectivas para o mercado imobiliário corporativo
Mesmo com a valorização registrada nos últimos trimestres, os preços pedidos de locação ainda não recuperaram integralmente as perdas acumuladas pelo setor ao longo da última década.
A análise da Binswanger Brazil aponta que, caso os valores de aluguel tivessem acompanhado a inflação oficial desde 2015, o preço médio chegaria a R$ 209/m².
O cenário reforça a importância de acompanhar os indicadores de vacância, absorção, oferta e valores de locação para compreender as transformações do mercado de escritórios e orientar decisões de ocupação e investimento imobiliário.
A participação da Binswanger Brazil na cobertura do g1 evidencia a relevância dessas informações para a leitura do mercado imobiliário corporativo brasileiro.
Confira a reportagem completa no g1: Com volta ao presencial e empresas em expansão, preço do aluguel de escritórios bate recorde em SP