A infraestrutura aeroportuária brasileira começa a ganhar uma nova função no mercado imobiliário logístico. Além do transporte de passageiros e cargas, áreas disponíveis dentro dos aeroportos passaram a integrar projetos de desenvolvimento de galpões e condomínios logísticos, em um movimento que amplia as alternativas de localização para empresas e operadores.
Um levantamento da Urban Systems, empresa do Grupo Binswanger, identificou 15 projetos em sete aeroportos concedidos no Brasil, com investimentos estimados em R$ 4,7 bilhões. O mapeamento evidencia o potencial de aproveitamento de terrenos aeroportuários e a crescente integração entre infraestrutura de transporte e operações imobiliárias.
Por que os aeroportos estão atraindo empreendimentos logísticos?
A localização é um dos principais fatores que explicam o interesse por áreas logísticas em aeroportos. Muitos desses complexos estão próximos de grandes centros urbanos, o que favorece a distribuição de mercadorias e reduz distâncias nas operações de transporte.
Essa característica ganha relevância em atividades que exigem agilidade, como a distribuição de produtos de alto valor agregado, medicamentos, alimentos perecíveis e operações de comércio eletrônico.
Outro diferencial está na conexão direta com a infraestrutura aeroportuária. A proximidade das pistas e dos terminais de carga pode reduzir etapas operacionais, otimizar o fluxo de mercadorias e ampliar a eficiência das operações de importação e exportação.
Os empreendimentos também podem atender à demanda por operações de last mile, especialmente em regiões metropolitanas onde a localização dos centros de distribuição influencia diretamente os prazos de entrega.
Guarulhos evidencia o potencial dos galpões aeroportuários
O Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, é um dos exemplos mais representativos desse movimento. O complexo logístico desenvolvido na área da concessão demonstra como a localização aeroportuária pode agregar valor aos empreendimentos.
A primeira fase do parque logístico foi entregue em 2024 e recebeu empresas como Mercado Livre, Anjun, Latam e Azul. Na segunda etapa, uma nova nave foi entregue em agosto de 2026, com valor pedido de locação de aproximadamente R$ 130 por metro quadrado.
Para efeito de comparação, a média de locação de galpões na cidade de Guarulhos está em torno de R$ 40 por metro quadrado, evidenciando o diferencial de preço associado à localização dentro do sítio aeroportuário.
A diferença está relacionada não apenas à disponibilidade de espaço, mas também aos ganhos operacionais proporcionados pela conexão direta com a infraestrutura de transporte aéreo.
Novos projetos ampliam o mapa logístico nacional
O movimento não se restringe ao estado de São Paulo. Outros aeroportos brasileiros também apresentam iniciativas de desenvolvimento imobiliário e aproveitamento de áreas disponíveis.
Em Brasília, um empreendimento logístico instalado no sítio aeroportuário reúne 63,6 mil m² de área locável e registra ocupação integral.
Em Campinas, o Aeroporto Internacional de Viracopos recebeu um projeto built-to-suit de 464 mil m² contratado pelo Mercado Livre, considerado a maior locação de galpão logístico do Brasil.
Já em Recife, a concessionária responsável pelo aeroporto possui um plano de desenvolvimento imobiliário que contempla 543 mil m² de áreas disponíveis, com previsão de iniciativas voltadas à implantação de condomínios logísticos.
Esses projetos demonstram a diversidade de oportunidades associadas à infraestrutura aeroportuária e a possibilidade de expansão do setor em diferentes regiões do país.
Localização e eficiência operacional ganham peso nas decisões imobiliárias
O avanço dos galpões logísticos em aeroportos acompanha uma transformação nas exigências das operações empresariais. A escolha de um imóvel logístico considera cada vez mais fatores como conectividade, acesso aos principais mercados consumidores, infraestrutura e custo total da operação.
Nesse contexto, o valor do aluguel deixa de ser o único indicador relevante na análise de viabilidade. A redução do tempo de transporte, a agilidade na movimentação de mercadorias e a otimização dos estoques também influenciam a decisão de ocupação.
Para o mercado imobiliário, esse cenário amplia as possibilidades de desenvolvimento de novos ativos e reforça a importância da inteligência de mercado na identificação de áreas com potencial de valorização e demanda.
O avanço dos projetos aeroportuários representa, portanto, uma nova frente de desenvolvimento para o setor de galpões logísticos no Brasil, aproximando infraestrutura, mercado imobiliário e eficiência operacional.
Confira a reportagem completa no Metro Quadrado: Boom de galpões chega aos aeroportos