Na Faria Lima, a vacância está abaixo de 8%, enquanto em outras regiões da cidade supera 30%, como em Santo Amaro.
Os espaços vagos em edifícios de escritórios recuaram no início deste ano na cidade de São Paulo, reforçando o ciclo de recuperação do mercado imobiliário corporativo. A taxa de vacância caiu para 12,8% da área total disponível para locação no primeiro trimestre de 2026, após encerrar 2025 em 13,8% e 2024 em 19,4%, segundo levantamento da Binswanger Brazil. “A absorção de áreas, por meio da locação, tem surpreendido positivamente nos últimos anos”, afirmou a diretora-geral da consultoria, Simone Santos.
No período mais crítico da pandemia, entre 2020 e 2021, diversas empresas optaram por devolver seus escritórios. A partir de 2022, teve início um movimento gradual de retorno, ainda com certa cautela. As companhias levaram tempo para retomar o presencial e ampliar suas operações. Já em 2024 e 2025, a demanda por novas áreas ganhou força, incluindo empresas que passaram a ocupar múltiplos andares ou até edifícios inteiros em uma única negociação.
Observa-se também uma mudança no comportamento corporativo, com redução do home office e do modelo híbrido — no qual a jornada é dividida entre casa e escritório. “O retorno dos funcionários ao ambiente corporativo tem sido o principal fator para a recuperação do mercado”, destacou Melissa Spinelli, diretora de Escritórios da consultoria. O avanço da economia brasileira e da atividade empresarial também contribui para esse cenário mais positivo.
Uber e Shopee lideraram aluguéis
A maior locação do primeiro trimestre foi realizada pela Uber, que ocupou 12,6 mil metros quadrados no edifício JK Square — área superior a um campo de futebol. Na sequência, a Shopee alugou 7 mil metros quadrados no Birmann 32, conhecido como “prédio da baleia”. No acumulado do trimestre, as locações na capital paulista somaram 75 mil metros quadrados, já considerando as devoluções registradas no período.
A taxa de vacância de 12,8% também indica um cenário mais equilibrado entre proprietários e inquilinos. Isso significa que não há excesso de oferta, o que pressionaria os preços para baixo, nem escassez de espaços, que poderia elevar os valores de forma acentuada. A Binswanger Brazil projeta que a vacância deve permanecer abaixo de 15% até 2027, sustentando esse equilíbrio diante da melhora estrutural observada.
A projeção, no entanto, representa uma média do mercado. Regiões como Faria Lima, Itaim Bibi, Avenida Juscelino Kubitschek e Avenida Paulista apresentam vacância abaixo de 8%, indicando baixa disponibilidade de áreas para locação. Em contrapartida, Chácara Santo Antônio e Santo Amaro registram vacância superior a 30%, com maior volume de imóveis desocupados.
A maior ocupação dos edifícios também veio acompanhada da recuperação dos valores de locação, o que favorece investidores desse segmento. O preço médio do metro quadrado atingiu R$ 130 no primeiro trimestre, alta de 7% em relação ao final de 2025. Esse movimento foi impulsionado principalmente pelas regiões com menor disponibilidade de espaços. Na Faria Lima, o valor médio chega a R$ 303 por metro quadrado, com picos de R$ 415. “Quem firmou contratos com valores mais baixos durante a pandemia agora tende a enfrentar revisões nos aluguéis”, observou Melissa.