Com vacância em 6,4%, mercado de galpões logísticos registra alta nos preços e demanda impulsionada pelo e-commerce
Por Jaqueline Mendes
A vacância de galpões logísticos no Brasil atingiu o menor nível da história, com taxa de 6,4% no primeiro trimestre. O resultado reflete a combinação entre demanda aquecida e um ritmo ainda moderado de novas entregas, consolidando um cenário recorde para o mercado de ativos industriais e logísticos de alto padrão.
Levantamento da Binswanger Brazil mostra que a ocupação de áreas voltou a crescer acima da entrada de novos empreendimentos, contribuindo diretamente para a redução da disponibilidade de espaços no país.
Esse movimento também impactou os valores de locação. O preço médio pedido por metro quadrado chegou a R$ 30,62, o maior nível já observado, refletindo a menor oferta, principalmente em regiões mais consolidadas.
No estado de São Paulo, principal polo logístico do Brasil, a média atingiu R$ 33,54 por metro quadrado. Já regiões localizadas em um raio de até 30 quilômetros da capital registraram valores próximos de R$ 40/m², evidenciando a valorização dos ativos bem localizados.
De acordo com Simone Santos, sócia-diretora da Binswanger Brazil, o e-commerce segue como o principal motor da demanda por galpões logísticos. Apenas no primeiro trimestre, o segmento respondeu por cerca de 1 milhão de metros quadrados absorvidos, indicando o potencial de expansão ainda existente no país.
A vacância de galpões logísticos segue sendo diretamente impactada pela expansão do comércio eletrônico, que permanece como principal vetor de ocupação. Entre janeiro e março, o setor concentrou aproximadamente 1 milhão de m² de absorção líquida.
Esse cenário tem levado empresas a anteciparem decisões de ocupação, muitas vezes antes da conclusão dos empreendimentos. Um dos destaques foi a pré-locação de cerca de 246 mil m² pela Shopee no GLP Guarulhos III, uma das maiores operações do período.
Pelo lado da oferta, aproximadamente 735 mil m² foram entregues em novos condomínios logísticos no trimestre, elevando o estoque nacional de ativos de padrão A e A+ para 35,7 milhões de m². São Paulo segue concentrando quase metade desse volume, reforçando sua relevância estratégica na logística nacional.
As locações brutas atingiram 1,4 milhão de m² no trimestre e 3,7 milhões de m² no acumulado de 12 meses. Entre os principais ocupantes, o Mercado Livre liderou as maiores operações, seguido por Shopee e DHL, que também ampliaram suas atuações no Brasil.
O desempenho do período reforça um cenário de expansão sustentada, impulsionado por mudanças no comportamento de consumo e pela crescente necessidade de eficiência nas cadeias logísticas. Nesse contexto, ativos bem localizados e com padrão elevado tendem a ganhar ainda mais relevância estratégica nas decisões de ocupação.
Leia a matéria completa no Brazil Economy: Vacância atinge mínima histórica e preços de galpões batem recorde no início do ano