Projeto nos Campos Elísios ampliará o estoque corporativo da região e reunirá 22 mil servidores até 2030
Por Letícia Furlan
Durante décadas, o centro da capital paulista foi um dos principais polos empresariais do país, reunindo grandes companhias e impulsionando a economia local.
A partir da década de 1970, teve início uma migração gradual das sedes corporativas para novas regiões, como a Avenida Paulista. Nos anos 1990, a Avenida Faria Lima se consolidou como o novo centro financeiro de São Paulo.
Essa mudança também acompanhou transformações sociais. Em 1990, ocorreu na capital paulista a primeira apreensão de crack do país. De baixo custo e efeito intenso, a droga se espalhou rapidamente e, cinco anos depois, o termo “Cracolândia” foi usado em uma reportagem para descrever a área da Santa Efigênia.
Desde então, o nome passou a estar associado ao centro histórico. Apesar do estigma, instituições como a B3 — única bolsa de valores do Brasil — e a Porto Seguro continuam simbolizando a resiliência de quem acredita no potencial de recuperação da região.
Alguns aspectos permanecem inalterados: é do Marco Zero, na Sé, que se define a numeração das ruas e a quilometragem de todas as rodovias do Estado. O centro antigo ainda funciona como ponto de referência para toda a cidade.
Nesse contexto, a nova sede do governo estadual será instalada nos Campos Elísios. O projeto prevê a construção de um complexo administrativo que abrigará o gabinete do governador e 28 secretarias, distribuídas em 12 prédios, com capacidade para cerca de 22 mil servidores.
A região central não recebe novos empreendimentos corporativos desde 2018. Atualmente, o estoque soma 138 mil metros quadrados, conforme dados da Binswanger. Na prática, o mercado segue estável em termos de oferta, dependendo apenas da ocupação ou devolução de áreas já existentes. A nova sede, por si só, adicionará cerca de 240 mil metros quadrados de área corporativa — um avanço significativo para o centro.